9 de mai de 2016

A resenha eficiente de Capitão América: Guerra Civil & Os dois lado da treta sem solução

Não é estranho que o resto do mundo tenha assistido antes da 'América'? 
Time Capitão e time Homem de Ferro tem de concordar em uma cosia: que a Marvel, mais uma vez, entregou um grande filme.

Dia 28 de abril estreou o mais novo filme da franquia Marvel nos cinemas, Capitão América: Guerra Civil. Seguindo a linha mais dura dos irmãos Russo - diretores do aclamado e mais sombrio segundo filme do Capitão, Soldado Invernal - o terceiro filme do herói americano tenta entregar uma trama de ação dramática que tem pretensões de mudar toda a dinâmica do grupo dos Vingadores para pior. Com mais de dez 'personagens secundários', os quais dois deles estão sendo apresentados no filme, e sendo filmado em quatro países (o Brasil inclusive é um deles!) em onze localidades, o filme poderia ser considerado grande demais para dar certo e tinha tudo para falhar. Mas isso não aconteceu. Por quê?

Engenharia narrativa em prol da diversão

Anthony e Joseph Russo (os diretores do filme) compreendem que o ofício de se fazer cinema é, de fato, um exercício de redução: de técnica, ao usar uma e não outra, e do desnecessário - repetições apenas para marcar tramas importantes do enredo. O resultado é competência pura. Como disse, o filme 'Capitão América Guerra Civil' é um projeto muito grande, com muitos personagens, mas quase nunca percebemos isso enquanto desfrutamos do filme no cinema, pois toda gordura foi cortada do roteiro. Toda cena avança o enredo, desenvolve um personagem ou arma uma tensão na trama, que será deflagrada em cenas mais tarde. Esqueça aquelas cenas sem pé nem cabeça que não levam ninguém a lugar nenhum: em um filme grande como esse, isso seria um pecado mortal. E quando você corta toda a besteira desnecessária de uma trama grandiosa como esta, o que sobra é espaço para o objetivo principal de todo filme da Marvel até agora: divertir seu público. Deixemos desde já uma coisa bem clara aqui: existem muitas maneiras de se divertir. Rir do non-sense da Carreta Furacão é divertido, assim como cair de cabeça em um livro do Stephen King. Um filme ser divertido não é sinônimo dele ser banal ou derivatório. Muito pelo contrário: somos perfeitamente capazes de apreciar uma trama bem elaborada e urdida com esmero. Também somos vacinados contra bobagens pretensiosas que não entregam o que prometem. A aceitação popular deste filme comprova isso.

O enredo, que se utiliza da saga original dos quadrinhos apenas quando convém, conta a história dos tratados de Sokovia - um conjunto de regras e deliberações da ONU a respeito das atividades do grupo conhecido como Vingadores e que deseja limitar sua ação. No início do filme o grupo é mostrado agindo de forma praticamente ilegal em um país estrangeiro e, infelizmente, acaba parcialmente responsável por mortos e feridos. A partir deste momento, mais de 100 países deliberaram e decidiram que o grupo liderado por Stark e Rogers não pode mais agir sem supervisão ou serão considerados vigilantes e tratados como criminosos comuns.

Tony Stark (ou seria Stank?), deseja que todos os membros dos Vingadores assinem os acordos, mas o filme nos mostra índices de que Tony não tem a menor intenção de segui-los: ele deseja as assinaturas apenas para evitar a criminalização do grupo e ganhar tempo. Afinal, ficar subordinado a ONU é praticamente desfazer o grupo. A ONU é famosa justamente por NÃO INTERFERIR EM CONFLITOS INTERNACIONAIS. Totalmente contrária a natureza dos heróis vingadores. Enquanto isso, o Capitão acredita que deixar um grupo com agendas políticas os controlarem seria apenas um ajuste na responsabilidade de seus atos, além de algo extremamente perigoso - lembrando o que ocorreu nos eventos do filme anterior onde a SHIELD se mostrou tomada por dentro pela HYDRA e não está inclinado a aceitar os acordos. Ele rapidamente se vê em uma posição contrária à de Tony e as coisas vão escalando a cada cena, culminando na cena final onde a animosidade chega ao limite e culmina em uma cena de luta de partir o coração.

Ambos heróis montam seus times de aliados e buscam objetivos diferentes, que não é o confronto direto entre si. O filme mostra que o Capitão na verdade quer é impedir o vilão Zemo de alcançar seus objetivos. Aliás, eu gostaria de tomar um tempo para falar do vilão deste filme: Zemo é a antítese de tudo que se viu até agora em matéria de vilão de um filme de super-herói. Ele não é temático, não tem nenhum poder ou lance maneiro, aparece pouco no filme, mal fala e quando o faz, o faz de forma baixa e comedida e mesmo assim é um dos vilões mais devastadores do cinema de quadrinhos. Difícil até discordar da motivação do personagem. Ele também possui a melhor fala do filme.

O pioneiro e lendário diretor Howard Hawks, que influenciou Tarantino, Scorsese e John Carpenter dizia, em seu estilo pragmático e sem enrolação que um bom filme possui "três cenas boas e nenhuma ruim." E Capitão América: Guerra Civil é exatamente isso: um filme sem cenas ruins. Pode-se argumentar que algumas cenas podem não ter nada demais, mas nunca chega-se ao ponto de se poder dizer que a cena é "ruim".

O pecado do filme seria talvez não ser mais devastador nas partes dramáticas e menos leve nas partes leves: um tom um pouco mais pesado cairia bem neste filme. De resto, o filme é excelente.

Nota 9/10
Tony, I... 
Os irmãos Russo: não parece um mafioso e seu contador de confiança?

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