5 de out de 2016

D&D 5 Personagem coringa - Michael Gallorosso, o galo da madrugada

E aí pessoal!! Vamos começar a postar uns NPCs originais para vocês usarem nas suas campanhas. Mantivemos suas histórias o mais genéricas possíveis para um enquadramento mais fácil nas aventuras de vocês. Bom proveito e comentem o que vocês acharam, com sugestões e críticas. Abaixo, segue o líder dos Cavaleiros da Madrugada - uma organização criminosa que luta pelo certo através de meios errados. Como eles se apresentarão na campanha de vocês? Aliados ou vilões?




Michael Gallorosso

Michael Gallorosso, o galo da madrugada ou o padrinho do porto como é conhecido atualmente naquela cidade de criminosos, é o filho do meio de uma família nobre do sul do Império. O duque daquelas terras de vinhos e azeites finos, seu pai Dom Nicolas Gallorosso visando o futuro e querendo evitar conflitos entre seus herdeiros, enviou seus outros dois filhos mais novos para estudar carreiras que os manteriam ocupados demais para armarem contra seu irmão mais velho e tentarem roubar-lhe as terras. O irmão menor de Michael ficou eufórico ao saber que estudaria em uma prestigiosa escola de magia, mas ele mesmo não ficou nada feliz ao saber que iria para o internato da igreja. O jovem Michael estava cheio de energia e fúria contra o mundo quando chegou aos cuidados dos mestres do mosteiro. Não queria saber das lições eclesiásticas e tentou fugir múltiplas vezes. Até que um certo dia, chegou ao local cavalgando em seu corcel malhado um paladino irmão da ordem, de espada na cintura, armadura prateada e com sua capa branca. Isso causou um grande impacto no jovem Michael, principalmente ao ficar sabendo que paladinos treinavam a arte da guerra ao mesmo tempo que memorizavam orações por horas a fio. Michael, animado principalmente com a ideia de finalmente ver um pouco de ação, insistiu bastante para que fosse treinado pela ordem, e apesar dos protestos de seu tutor que alertara o paladino do 'diabo' que habitava o corpo do menino, ele o levou  para ensina-lo a combater o mal como um guerreiro sagrado.

Anos mais tarde, de treinamento feito e espada na mão, o jovem e ruivo Michael, ou Galo Vermelho como ficou conhecido nos quartéis da ordem partiu em sua primeira missão ao lado de seu mestre, que recusava-se a partilhar detalhes de seus objetivos. Foi então que, ao cavalgar por terras devastadas, cheias de peste e fome, com casebres desabando e o povo com o rosto de quem tem a comida apenas como vaga lembrança, Michael começou a reconhecer certos marcos locais e finalmente viu-se nas terras de seu pai, que abandonara tão criança ao ser levado à vida no claustro do mosteiro. "Pela mão do deus da justiça - ele pensou - o que meu irmão andou fazendo?" Ao ver o rosto confuso de seu pupilo, o mestre respondeu como se houvesse lido sua mente:
- Nada, seu irmão não fez nada. Ele não é um governante vil se isso lhe preocupa a fronte. Ele nada fez, mas é um governador inerte e indiferente, e por isso o local foi tomado por agiotas e ladrões, que sugaram a vida do povo local com suas extorsões e roubalheiras.
- Então viemos combater os ladrões que assolam as terras de meu irmão? Por isso não me deu os detalhes de onde iríamos, mestre? Ora, que mal havia em saber que veria meu irmão novamente, ainda mais para ajudá-lo!
O mestre, que cavalgava lentamente ao seu lado, respondeu-lhe:
- Viemos pedir que renuncie e entregue as terras de volta ao Imperador. Um governante temporário virá ajeitar tudo, e as terras serão passadas a outro duque ou conde, tendo em vista que tu não pode assumi-las por conta de seus votos e teu irmão Satiel está desaparecido.
- Ora! - disse Michael - porque pedir que entregue as terras? Não seria melhor e mais fácil espantar os bandidos da região e desmascarar os agiotas? Acredito que seria mais fácil que convencer um lorde a devolver suas terras...
O cavalo do mestre parou, e seu cavaleiro olhou para o pupilo, transmitindo sua sabedoria:
- Não se poda as folhas e nem se tira os insetos de uma árvore morta. Derruba-se-a. Teu irmão pode não ser maligno, mas sua indiferença e péssimas decisões destruíram um reino inteiro, reino este que agora ameça os vizinhos com migrações em massa. Enxotar um grupo tão grande de bandoleiros como os que se ajuntaram na região exigiria o exército imperial, para se ter uma ideia do tamanho do problema. E caso fossem expulsos, o que teu irmão faria então? Acha que mudaria da água para o vinho?
Michael ficou em silêncio, ouvia apenas os cascos dos cavalos batendo nas pedras da estrada.
- Não. - disse o mestre - Os bandidos voltariam logo por conta do pulso fraco dele e o povo sofreria mais ainda. Teu irmão não serve para governar e viemos dar as más notícias a ele. Vamos explicar sem dizer que ele é a fonte do mal. Aprenda isto: o mal pode emanar daqueles que se recusam a fazer o bem, não só dos vis e pérfidos, que habitam casas baixas. E o lema da nossa ordem é "cortar o mal pela raiz". Se ele renunciar, sairá com uma compensação.
- E se recusar?
- Não podemos deixar uma árvore infecta no pomar imperial, Michael. Faremos o que deve ser feito.

E naquela noite, Michael cortou o mal pela raiz. Seu irmão nem o reconheceu. Recusou-se a abrir mão de seu direito de nascença e foi morto em um duelo, pelo próprio Michael - que estranhamente não sentiu-se triste ao abater seu próprio irmão mais velho. Os sentimentos foram outros naquela noite. Teve pena e asco de ver que seu irmão havia se tornado um parvalhão cujo legado de seu pai ele havia destruído. Quando perguntaram, anos mais tarde, o que sentiu ao cortar fora a vida fora de seu irmão mais velho, a resposta de Michael foi "alívio". Só que Michael havia mudado naquela noite. Na cavalgada de volta para o castelo da ordem, brigou com seu mestre por não lhe avisar o que estavam prestes a fazer. "E se eu tivesse fraquejado?" Perguntava ele a seu mestre, que lhe dava explicações razoáveis: os líderes da ordem queriam ver se ele era capaz de lidar com sua vida passada. E Michael passara no teste com louvor. Como membro efetivo da ordem, a primeira ação de Michael foi sair dela. Agradeceu seu mestre, e lhe disse que "havia compreendido como aplicar a justiça naquele dia". Seu mestre pouco entendeu suas palavras. Trocou sua capa branca por uma cinza e a armadura brilhante por uma fosca, de metal duro mas sem acabamento. Cavalgou até a cidade mais perigosa da região e ali fundou os Cavaleiros da Madrugada.

A primeira atitude de Michael como único membro e fundador da ordem foi trespassar com sua espada o prefeito e seu guarda-costas, ambos conhecidos criminosos da região. A ação foi feita no meio do dia e em praça pública. A escaramuça foi uma afirmação de Michael contra todos os bandidos locais. Logicamente, a atitude atraiu todo tipo de assassino e marginal da região, todos querendo sua cabeça por motivos diversos: restaurar a 'ordem' do local, fazer um nome matando o homem que matou o maior bandido da cidade e até vingança dos parentes dos que morreram nesta guerra contra um só. Michael prevaleceu sobre todos os duelos e tentativas de assassinato naquele ano, e conforme os bandidos iam morrendo retalhados, Michael via o povo da cidade recuperar seu vigor. Todo tipo de pessoa, ao ouvir o que Michael estava fazendo naquela cidade podre começou a procurá-lo para entrar em sua ordem. Em dois anos, os Cavaleiros da Madrugada já eram uma força grande a ser reconhecida na região. Só que as coisas começaram a estagnar. A cidade aparentemente recusava o bem.

Michael percebeu que o crime estava impregnado naquela cidade. Todo o comércio era corrupto, e coisas ilegais aconteciam o tempo todo. E não era por menos: as taxas abusivas do Império eram um convite a evasão de divisas; a pobreza levava o povo ao crime e a prostituição, e matar pessoas, mesmo as pessoas certas, não mudaria estes fatos. O mal emanava de fora da cidade e a consumia insidiosamente. A Ordem dos Cavaleiros da Madrugada precisaria passar a operar de forma mais 'ativa' se quisesse garantir uma vida melhor àquelas pessoas que tanto trabalhavam para aquela cidade. E foi com a ajuda de ex-comerciantes que Michael começou a se intrometer nos negócios escusos locais. Colocando ordem na casa por assim dizer. Eliminou operadores violentos e entregou pontos de interesse a chefes do crime que ele julgava adequado: geralmente os menos violentos e abusivos, que sabiam quando e onde roubar. Os assassinatos pararam, e o roubo aos cidadãos
também: toda violência da cidade tornou-se comercial sob a batuta de Michael Gallorosso. As casas de prostituição foram impedidas de abusar de suas 'garotas' e as mesmas receberam certos 'direitos', reforçados pelos cavaleiros. Através destas atitudes, certa normalidade passou a reinar entre a população local: a ordem dos Cavaleiros da Madrugada, no papel, nada possui, mas por força coerciva tem todos os criminosos da cidade no bolso. E na ponta da espada também. Ao ser indagado se este é o melhor caminho, se esta seria a atitude correta de um paladino, Michael responde que é o que ele pode fazer por enquanto. Enquanto não pode cortar a "raiz do mal que assola a sua cidade", ele apenas poda seus ramos podres, mantendo tudo sobre controle e a população feliz, de certa forma por não serem mais os alvos dos criminosos ensandecidos que ora controlavam suas vidas. A ordem de Michael é grande, e amontoou uma grande quantidade de ouro através de seus 'impostos' cobrados dos lordes do crime locais, o que tem atraído a atenção do Império ultimamente. Quando questionado se ainda mantém seus poderes divinos e se acredita que o que faz é certo, Michael responde:

- Faço apenas o que os homens e os deuses me permitem.

Um comentário:

  1. Cara, esse nome e título só pode ter sido inspirado na cultura pernambucana. Galo da madrugada? Galeroso? kkkkk

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